As campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começaram a redesenhar as estratégias para as três semanas antes do segundo turno.
Depois de terminar o primeiro turno à frente do petista, Flávio busca ampliar seu palanque, incorporar antigos adversários e mobilizar as forças da direita nos estados. Lula, por sua vez, quer transformar a nova etapa da disputa em um confronto direto entre dois projetos de país e corrigir falhas da primeira fase da campanha.
Do lado de Flávio, um dos primeiros movimentos será consolidar o apoio dos candidatos derrotados no domingo (4). Ronaldo Caiado (PSD) será o primeiro nome de peso a embarcar formalmente na campanha. Os dois acertaram uma reunião para esta terça-feira (6), em Goiânia, quando o apoio do ex-governador de Goiás será anunciado.
Romeu Zema (Novo) declarou apoio a Flávio na segunda-feira (5). Por meio de um post em suas redes sociais, o empresário disse que seu voto no segundo turno será contra o PT. “Nós ainda temos uma grande batalha agora, dia 25. Derrotar o Lula e o PT. Eu não vou me omitir nem ficar em cima do muro nesse momento tão importante. Voto contra o PT. Voto no Flávio Bolsonaro”, afirmou.
O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participa das articulações para aproximar partidos e lideranças de centro e centro-direita da candidatura do PL.
A estratégia passa ainda por reforçar os palanques nos três maiores colégios eleitorais do país — São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro — e aproveitar a estrutura de governadores, senadores e deputados aliados para colocar a militância em campo.
PL traça plano de ação
A próxima etapa dessa mobilização será em Brasília. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, convocou para quarta-feira (7) uma reunião com a atual bancada e com governadores, senadores e deputados federais eleitos no domingo.
Flávio participará do encontro, marcado para as 15h no Teatro Juca Chaves, no Complexo Brasil 21. A pauta será o “alinhamento das estratégias para o segundo turno das eleições”.
O deputado federal reeleito Maurício Marcon (PL-RS) afirmou que a reunião servirá para analisar os números do primeiro turno, apresentar o plano de ação e organizar a atuação da campanha nos estados.
Segundo Marcon, o ex-presidente Jair Bolsonaro adotou estratégia semelhante depois do primeiro turno da eleição presidencial de 2022, ao reunir aliados para organizar a campanha da etapa decisiva.
A avaliação dentro do PL é de que o resultado do primeiro turno deixou a direita mobilizada, especialmente nas redes sociais, e que o momento agora é de aproveitar esse impulso. “Não é hora de descansar”, afirmou Marcon.
O deputado também considera estratégicos os palanques de Flávio no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Minas Gerais. No caso mineiro, ele cita o apoio de Cleitinho Azevedo (Republicanos) como um ativo para a campanha.
Marcon avalia ainda que a abstenção, especialmente no Nordeste, será uma variável importante na disputa e considera que Lula terá dificuldades para atrair parte dos eleitores que votaram nos demais candidatos no primeiro turno.
Nesse grupo estão justamente os apoios que a campanha de Flávio tenta conquistar. Além de Caiado e Zema, o desempenho dos candidatos que ficaram fora do segundo turno será acompanhado de perto pelas duas campanhas nas próximas semanas.
Lula aposta em confronto direto
Do lado petista, a estratégia parte da avaliação de que o segundo turno permitirá estabelecer uma polarização que ficou diluída pela presença dos demais candidatos na primeira etapa da eleição.
O presidente nacional do PT e integrante da coordenação da campanha, Edinho Silva, disse que Lula pretende apresentar a disputa como uma escolha entre dois “projetos antagônicos” de país.
A campanha pretende estabelecer diferenças em temas como renda das famílias, geração de empregos, segurança pública e exploração de recursos estratégicos. Os minerais críticos, por exemplo, devem aparecer como parte do discurso sobre desenvolvimento e soberania nacional.
Outro eixo será a relação com os Estados Unidos. A intenção é acusar o campo bolsonarista de favorecer interesses norte-americanos em detrimento das riquezas brasileiras.
A campanha também pretende defender mudanças no Poder Judiciário. Segundo Edinho, Lula teria autoridade política para conduzir uma reforma que aproxime as instituições das demandas da população.
Para o dirigente, o segundo turno permitirá colocar essas diferenças frente a frente. “Segundo turno é outra campanha. É confronto direto”, afirmou.
Segurança e crime organizado
A segurança pública também deve ganhar mais peso na campanha de Lula. O PT pretende explorar diretamente as diferenças entre os dois candidatos nesse campo e defender a atuação do governo no enfrentamento ao crime organizado.
Edinho argumenta que a disputa não será simplesmente uma comparação das trajetórias pessoais de Lula e Flávio, mas também do perfil político que cada um representa.
“Não é um confronto de biografias. O Brasil no segundo turno vai ter que fazer uma escolha”, disse.
O presidente do PT afirma que a campanha pretende questionar as relações do campo adversário com grupos criminosos e, em contraponto, destacar investigações realizadas durante o governo Lula.
“O povo brasileiro quer ser comandado por um presidente ligado com milícia? Essa pergunta tem que ser feita e ela será feita”, ressaltou.
Desgaste institucional
A campanha de Lula também começou a analisar as razões para o desempenho no primeiro turno.
Edinho não identifica um erro político específico do presidente que explique o resultado e atribui parte do desgaste à crise institucional vivida pelo país nas semanas anteriores à eleição, especialmente envolvendo o Judiciário.
Na avaliação dele, uma parcela do eleitorado não separa claramente as responsabilidades entre os Poderes e acaba atribuindo ao presidente da República o desgaste das instituições de maneira mais ampla.
“Por mais que Lula tenha cobrado investigação, aos olhos da sociedade, o maior representante é Lula. Lula pagou o preço do desgaste institucional”, analisou.
O dirigente considera legítima a insatisfação da população e diz que o desafio do segundo turno será mostrar a atuação do governo em episódios recentes, inclusive nas investigações do caso Master.
A campanha pretende argumentar que Lula garantiu autonomia aos órgãos de investigação e usar o tema para reforçar o contraste com Flávio.
Debates e comunicação
Apesar de não atribuir o resultado a erros de Lula, Edinho reconhece problemas na execução da campanha.
Um deles foi a descentralização da produção de materiais. Segundo ele, os estados tiveram autonomia para desenvolver peças próprias, mas a estratégia acabou deixando candidatos e diretórios sem material suficiente da campanha presidencial.
A mudança de postura também deverá aparecer nos debates. Lula não participou dos confrontos entre os presidenciáveis no primeiro turno, mas, segundo Edinho, pretende comparecer ao maior número possível no segundo.
A comunicação é outra área sob análise. Conforme revelou o Blog da Farfan, Lula avalia reforçar a equipe de marketing, inclusive com a possível entrada do publicitário João Santana, responsável pela campanha de reeleição do petista em 2006 e pelas campanhas presidenciais vitoriosas de Dilma Rousseff em 2010 e 2014.
Edinho afirma que a coordenação não discutiu troca de nomes, mas reconhece que o formato da campanha muda a partir de agora.
Flávio amplia palanque; Lula aposta em confronto direto para tentar virada no 2º turno
Publicado em: 06/10/2026 04:01 · Atualizado em: 06/10/2026 04:01
Por: Redação com R7 · Fonte/créditos: R7
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Senador busca apoio de adversários e mobilização nos estados; petista aposta no confronto entre projetos e ajustes na comunicação
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