O risco-país da Argentina voltou a ultrapassar os 700 pontos nesta semana, atingindo o nível mais alto em cerca de um ano. A elevação reflete uma combinação de fatores externos, como a elevação das taxas norte‑americanas e o fortalecimento do dólar, que afetam intensamente os mercados emergentes, e fatores internos, incluindo fluxos de saída de tesourarias que vendem títulos soberanos para remessas ao exterior.Segundo Daniel Marcatto, analista da Exploritas, a Argentina possui mais de US$ 30 bilhões em principal e juros a vencer em 2027, ano de eleição presidencial. Embora o país mantenha pouco mais de US$ 50 bilhões em reservas, parte dessas obrigações pode ser refinanciada, mas a alta recente no risco-país não se explica apenas pela dívida.O economista Fábio Giambiagi observa que os investidores superestimaram a capacidade de recuperação da economia argentina. Enquanto o REM apontava crescimento de 3,7 % em 2026, as projeções recentes reduzem o PIB a 1,5 % e a inflação a 30 % em dezembro. A instabilidade política, marcada por comentários controversos do presidente Milei e pela queda em sua popularidade, aumenta a incerteza sobre a continuidade de seu programa econômico.